Imagens Felizes # 4

Quando nos trazem boas memórias, revê-las é sempre um prazer. Aqui estão as fotos que actualmente me fazem sorrir.

O rio Lima atravessando uma das mais belas terras minhotas.

Ainda no Minho, desta vez num deslumbrante cenário de montanha.

Em terras transmontanas, onde o ar é puro e moram os líquenes.

Na semana em que chega o Outono, a recordação do início do Verão.

Uma refeição caseira, que é sempre a melhor.

Um pecaminoso momento de gula.

A aldeia transmontana onde viajei no tempo

Quando decidi redescobrir as belezas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, um dos meus propósitos era visitar Pitões das Júnias.

O nome desta freguesia de Montalegre sempre me fascinou. Em Portugal, há terras com nomes extraordinários, mas poucos se comparam a este. É sonoro e forte. Depois, é a terra em si, com origens perdidas no tempo e empoleirada a cerca de 1290 metros de altitude, o que faz dela uma das mais altas aldeias do país.

Só a paisagem que se vislumbra vale bem o passeio. A caminho da aldeia, o cenário é assim:

Pitões das Júnias A


Pitões das Júnias B


Pitões das Júnias C

Depois, o estar lá em cima e olhar em volta é um autêntico espectáculo.

Pitões das Júnias D


Pitões das Júnias E


Pitões das Júnias F


Pitões das Júnias G

O que me marcou, contudo, foi a aldeia em si, tão ancestral, tão agreste, tão fria, tão silenciosa, tão resistente à passagem do tempo. Viver aqui nunca foi e provavelmente continua a não ser fácil para os que ficaram.

Decerto é por isso que Pitões das Júnias é tão visitada. Ao percorrer as suas ruelas, tive a sensação de regredir umas boas centenas de anos, como se estivesse num cenário de um filme medieval…

A minha mente repetia a mesma pergunta – O que não terão já visto estas pedras?…

Pitões das Júnias H


Pitões das Júnias I


Pitões das Júnias J


Pitões das Júnias K

Depois, ao regressar ao carro, foi como se voltasse ao século XXI.

Estranho e fascinante.

Recomendo.

É uma experiência única.

O Paraíso é já ali… no norte de Portugal!

Os dias estão cada vez maiores e, por isso, ideais para passear.

Já há muito tinha em mente conhecer um pouco mais a fundo o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Felizmente já o visitei muitas vezes, mas agora pretendo demorar-me mais, redescobrir alguns espaços, conhecer outros e tirar belas fotografias para mais tarde recordar.

Falando em recordar, nos meus tempos de Escola Primária, o Parque era aquela enorme mancha verde pintada no mapa de Portugal afixado na sala de aula. A falta de fotografias obrigava-nos a usar a imaginação. A senhora professora, abençoada seja, era pródiga em metáforas e adjectivação. Com a sua eterna cana na mão, a descrição era mais ou menos a seguinte:

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Montalegre tem um guardião… imponente!

O magnífico Cozido à Portuguesa de Montalegre está bem longe de ser o único atractivo desta vila transmontana, que não é conhecida como “Sentinela do Barroso” por acaso.

Motivo?

Simples – é necessário subir mais de 1000 metros até lá chegar!

E, acreditem, chegados ao topo, a sensação é incrível – e o vento gelado que soprou no Domingo também!

Falando em topo, lá nas alturas, o que vão encontrar guardando tudo com ar severo justifica bem a escalada

Falo do Castelo de Montalegre, sobretudo da imponente Torre de Menagem, imperiosa no alto dos seus 27 metros e 13 de largura, a vigiar tudo lá em baixo.

Castelo Montalegre A

Magnífica, não é?

À volta dela, o cenário é igualmente extraordinário.

Castelo Montalegre D


Castelo Montalegre E


Castelo Montalegre  F

Castelo Montalegre I

E, lá no fundo, uma bela visão do vale superior do rio Cávado.

Castelo Montalegre  J

Montalegre e o seu castelo vigilantes de uma paisagem única… que, felizmente, irei revisitar muito em breve!

Há um monstro em Chaves!

Ontem vi uma reportagem na televisão sobre a magnífica cidade de Chaves.

Insensivelmente, aquelas imagens fizeram-me recordar uma hilariante peripécia que li já não sei especificar onde, mas que não resisto a partilhar aqui.

Há mais de dois séculos, um folheto de cordel foi vendido pelas ruas de Lisboa com grande sucesso, tendo sido reeditado várias vezes.

Sem valor artístico ou literário de monta, o dito papelito era extraordinário.

Atentem no título:

“Relação do horrendo monstro que agora apareceu próximo da vila de Chaves na Província de Trás-os-Montes e da forma como um pastor o apanhou”

A ilustrar o relato, surgia a ilustração de um mostrengo meio leão meio lagarto!

E as pessoas acreditaram?

Bem… quem sabe?

Na verdade, esta historieta de cordel reunia dois ingredientes fundamentais das histórias do género.

Em primeiro lugar, a fantasia, o explorar o gosto dos leitores pelo irreal, o inexplicável, o misticismo, os seres mitológicos e fantásticos, a magia e o prodígio…

Espantados?

Basta ver o sucesso que a Literatura Fantástica tem no leitor actual, dando origem a filmes que são sucessos de bilheteira e a seriados que prendem o espectador à televisão.

Exemplos?

O Senhor dos Anéis, a Guerra dos Tronos

O segundo ingrediente de sucesso do monstro leão-lagarto de Chaves era a distância.

Situada no alto de Portugal, Trás-os-Montes surgia aos olhos dos lisboetas como uma terra quase mística, envolta em brumas e mistério e, sobretudo, praticamente inacessível – daí o autor da historieta estar bem seguro que ninguém iria sequer tentar ver semelhante bicharoco em carne e osso – e questionar a veracidade do relato!

Sim.

Prodígios destes só ocorrem em terras isoladas, tocadas pela magia, pelo misticismo, onde o imaginário popular aceita naturalmente as manifestações do fantástico pois tudo o que rodeia o povo é, naturalmente, extraordinário.

E, para o português de então, Trás-os-Montes era assim – isolado, desconhecido, envolto em brumas e mistério – onde tudo era possível, até um monstro meio leão meio lagarto a passear em Chaves!